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“Dhurma Dub”, de Pedro Satto: um retrato afetivo e urbano de São Paulo em forma de música mestiça

“Dhurma Dub” nasce como uma canção de observação sensível — daquelas que partem de um detalhe aparentemente simples para alcançar camadas muito mais amplas de significado. No segundo single autoral de Pedro Satto, compositor e instrumentista radicado em São Paulo, a figura de um cachorro especial do centro da cidade se transforma em ponto de partida para um retrato afetivo, social e urbano da metrópole. É uma música que olha para o chão da cidade, para seus personagens invisíveis, e encontra ali matéria viva para criar arte.


A força da faixa está justamente em sua recusa a rótulos fáceis. “Dhurma Dub” habita um território híbrido, onde cumbia, piseiro, bolero e sutis referências ao dub convivem de forma orgânica, sem hierarquias. O arranjo soa como a própria São Paulo: caótico, plural, atravessado por culturas que se encontram, se chocam e se misturam no cotidiano. Essa mestiçagem musical não é estética gratuita, mas linguagem — uma forma de traduzir a diversidade social e humana que a canção evoca.


Há um cuidado especial na construção rítmica, que se movimenta com leveza e balanço, criando uma sensação de caminhada pela cidade. A música avança como quem observa vitrines, esquinas, pessoas e histórias, sem pressa, mas com atenção. As influências latinas e populares aparecem não como citações explícitas, mas como memória sonora, incorporadas ao corpo da canção com naturalidade e personalidade.


O personagem central — o cachorro que inspira “Dhurma Dub” — funciona como metáfora poderosa. Ele representa afeto, resistência e presença em meio ao concreto, mas também aponta para as dinâmicas sociais do centro urbano: abandono, convivência forçada, solidariedade silenciosa e sobrevivência cotidiana. Pedro Satto transforma esse olhar em música sem recorrer ao panfleto, preferindo a sugestão, o clima e a construção sensorial.


Como artista, Satto demonstra maturidade ao compreender que nem toda canção precisa explicar tudo. “Dhurma Dub” se apoia na atmosfera, no gesto e na escuta atenta. É uma faixa que se revela aos poucos, convidando o ouvinte a perceber seus detalhes, suas texturas e seus cruzamentos culturais. Essa postura reforça sua identidade autoral e o posiciona como um criador interessado em narrativas urbanas, humanas e não óbvias.


O lançamento, confirmado para 19 de dezembro de 2025, ganha ainda mais força com a apresentação ao vivo já anunciada, reforçando o caráter performático e coletivo da música. “Dhurma Dub” pede corpo, espaço e presença — é uma canção que dialoga com a rua, com o público e com a cidade que a inspirou.


No fim, Pedro Satto entrega mais do que um segundo single: entrega um pequeno retrato sonoro de São Paulo, onde afeto e crítica social caminham juntos. “Dhurma Dub” é música mestiça, urbana e viva — feita para quem escuta a cidade com atenção e entende que, às vezes, são os personagens mais improváveis que contam as histórias mais verdadeiras.



 
 
 

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